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Madeira de reflorestamento pode ser opção na defumação de bacon
Um estudo realizado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq - USP) testou o uso de produtos de reflorestamento na fabricação de bacon. O objetivo foi utilizar madeiras como bracatinga, bambu, teca e eucalipto no processo de defumação, a fim de reduzir os impactos ambientais e contribuir para a preservação da flora nativa. A partir do teste, foram verificadas alterações positivas para características sensoriais esperadas para um bacon de qualidade e apreciado pelo consumidor.

Madeira de reflorestamento pode ser opção na defumação de bacon

Um estudo realizado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq - USP) testou o uso de produtos de reflorestamento na fabricação de bacon. O objetivo foi utilizar madeiras como bracatinga, bambu, teca e eucalipto no processo de defumação, a fim de reduzir os impactos ambientais e contribuir para a preservação da flora nativa. A partir do teste, foram verificadas alterações positivas para características sensoriais esperadas para um bacon de qualidade e apreciado pelo consumidor.

"Derivado da carne suína, o bacon passa por um processo de defumação obtida pela queima de madeiras ou por adição da fumaça líquida, que contém o extrato pirolenhoso vegetal, condensado", explica Izabella Soletti, que apresentou o trabalho no Programa de Pós-graduação em Ciência e Tecnologia de Alimentos da Esalq. Ela teve a orientação da professora Carmen Contreras Castillo, do Departamento de Agroindústria, Alimentos e Nutrição.

Em laboratório, Izabella observou benefícios ao usar diferentes madeiras de reflorestamento brasileiras na etapa de defumação do bacon. Após as etapas de defumação e fritura, ela submeteu as amostras ao teste sensorial de consumidores habituais de bacon para consolidar o resultado. Esses consumidores avaliaram o sabor e o aroma do produto.

Ao longo da degustação os consumidores marcaram como dominante, crocante, suculento, amadeirado e defumado para quase todas as amostras."São atributos esperados em relação ao sabor e textura frequentemente observados nesse tipo de amostra", conta a pesquisadora. Os exemplares que não tiveram o mesmo resultado foram os defumados com madeira de eucalipto e fumaça líquida - que perderam maciez, porém, o sabor permaneceu.

Um aspecto que se destaca na caracterização sensorial foi o emprego da Dominância Temporal de Sensações (TDS), método de análise desenvolvido na França que começou a ser estudado em 1999 e foi publicado pela primeira vez em 2009. O TDS considera as taxas de dominância (atributo que chama mais atenção) e o tempo em que as características (sensações) são percebidas durante a avaliação dos produtos. "Até o momento não foram publicados estudos com TDS e avaliação de bacon. O método se destaca por sua rápida execução, facilidade e baixo custo em relação aos métodos clássicos de análise sensorial", complementa a autora do trabalho.

A professora Carmen ressalta a importância de utilizar madeiras reflorestadas. "O Brasil é considerado um bom local para o cultivo e extração de madeira reflorestada, várias delas são baratas e estão disponíveis em maior quantidade como, por exemplo, o eucalipto", diz a docente.

O projeto contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e, em sua execução, também estiveram envolvidos técnicos e estudantes de doutorado, mestrado e iniciação científica. O grupo trabalhou em parceria com o Departamento de Ciências Florestais da Esalq, representado pela professora Luciana Duque Silva, que contribuiu na seleção e na obtenção das madeiras utilizadas na defumação, e pelo professor Francides da Silva Jr., que auxiliou nas análises físico-químicas de caracterização dessas madeiras.

Com informações de Julia Heloisa Silva/Divisão de Comunicação da Esalq-USP

https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-agrarias/madeira-de-reflorestamento-pode-ser-opcao-na-producao-de-bacon/


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